3ª ExpoTIX – Feira e Exposição dos Produtos do Território Indígena do Xingu
A 3ª ExpoTIX foi realizada pela Associação Terra Indígena Xingu (ATIX), graças à união de diversas instituições que apoiam os povos do território. Entre elas está o Instituto Aritana, que marcou presença no Polo Leonardo Villas-Boas junto às lideranças e aos produtores dos povos do Xingu.
Estiveram presentes representantes de organizações e órgãos parceiros:
- Instituto Socioambiental (ISA)
- Rede de Cooperação Amazônica (RCA)
- Funai e Coordenação Regional do Xingu
- DSEI Xingu
- Ministério dos Povos Indígenas (MPI)
- The Amazon Conservation Team Brasil
- Fiocruz
- Projeto Xingu
- Funbio, por meio do Programa COPAÍBAS
- Tradição e Futuro, da Petrobras
A 3ª ExpoTIX contou ainda com o apoio da Embaixada Real da Noruega e da Embaixada da França.
A programação da 3ª ExpoTIX reuniu lideranças, produtores e parceiros em rodas de conversa sobre os desafios e as potências do Território Indígena do Xingu. Os temas se conectam entre si e giram em torno de uma mesma ideia: garantir que os povos continuem vivendo e produzindo em seu território, com autonomia e segurança.
Bioeconomia
Para os povos do Xingu, a bioeconomia parte do que já existe no território: o manejo da floresta, os alimentos da roça, o mel, o artesanato e os saberes passados entre as gerações. Nas rodas, o tema foi tratado junto com as cadeias produtivas, ou seja, os caminhos que levam o produto da aldeia até quem compra, passando pela produção, organização e comercialização.
Esse debate já faz parte da história da ExpoTIX. A feira mostrou produtos como mel, sal de aguapé, cerâmica, colares, amendoim e outros alimentos tradicionais, além de projetos como o de apicultura, que reúne produtores de diversos povos. A feira reforça que os povos indígenas produzem, geram renda e cuidam do território ao mesmo tempo. Portanto, é importante o reconhecimento das Economias Indígenas enquanto uma tecnologia ancestral e resistência.
Agroecologia e alimentação
A agroecologia valoriza a roça tradicional, a diversidade de sementes e o cultivo que respeita os ciclos da natureza. Na ExpoTIX, esse tema se liga ao cuidado com a comida tradicional, que fortalece a saúde, a cultura e a autonomia das comunidades. A Carta da 2ª ExpoTIX já chamava atenção para pressões como o avanço do agronegócio e a presença de alimentos ultraprocessados, que ameaçam os modos de vida e de produção dos povos do Xingu.
https://acervo.socioambiental.org/acervo/documentos/carta-da-2a-expotix
Proteção territorial
Proteger o território é a base para que todo o resto aconteça. Sem terra preservada, não há roça, pesca, ou cultura. As rodas sobre o tema discutiram a vigilância e o monitoramento das terras indígenas, o papel dos programas de expedição e a articulação com órgãos e parceiros. Foi nesse espaço que o Instituto Aritana apresentou as atividades do Programa de Monitoramento Territorial, com a fala do coordenador Ronnan Kayabi, mostrando como o trabalho de campo contribui para a defesa das terras do Xingu.
Fortalecimento da resistência dos povos
A resistência, no Xingu, se expressa de muitas formas: na defesa do território, na manutenção das línguas e dos rituais, na educação dentro das aldeias, na participação das mulheres e na comunicação feita pelos próprios indígenas. Esses assuntos também estiveram na programação, ao lado do alinhamento do PGTA, o Plano de Gestão do Território Indígena do Xingu, que orienta as decisões coletivas sobre o futuro do território.
O Moitará, a troca livre de produtos e objetos que encerra a feira, resume essa ideia na prática: resistir também é manter vivas as relações entre os povos e os laços de cuidado e reciprocidade.





Presidente do Instituto Aritana, Tapi Yawalapiti.

Coordenador de Monitoramento, Ronnan Kayabi.
Fotografia: Coordenadoria de Comunicação / Instituto Aritana.
